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Zeca Pagodinho transita com fluência entre a dor e a alegria no álbum ‘Mais feliz’

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Produzido por Rildo Hora, o disco destaca o samba ‘Nuvens brancas de paz’, composto pelo artista em parceria com Arlindo Cruz e Marcelinho Moreira.

O quintal do Zeca Pagodinho é coração de mãe em que sempre cabe mais um compositor. O repertório do 24º álbum solo desse cantor e compositor carioca de atuais 60 anos – Mais feliz (Zeca Pagodiscos / Universal Music), lançado na terça-feira, 17 de setembro – reflete essa generosidade.

Novatos que se abrigam pela primeira vez no quintal de Zeca, Rafael Delgado e Ronaldo Barcellos figuram no disco como compositores de Quem casa quer casa. Com letra que faz a ronda por bairros do subúrbio do Rio de Janeiro (RJ), cidade natal do anfitrião, Quem casa quer casa evolui com agilidade no sopro dos metais.

Trata-se de uma das 14 músicas que compõem o repertório majoritariamente inédito de Mais feliz, álbum gravado com fidelidade aos cânones da produção musical de Rildo Hora.

Zeca Pagodinho é artista enraizado no próprio quintal. Sem jamais esboçar centelha de novidade nos luxuosos arranjos, Mais feliz é disco que gravita com segurança e fluência em torno do universo musical do sambista.

Mesmo a faixa aparentemente mais surpreendente do repertório – a regravação de Apelo (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1966), feita com os toques magistrais do bandolim de Hamilton de Holanda e do violão de Yamandu Costa – é, a rigor, reminiscênc

ia afetiva das serestas e saraus frequentados pelo sambista em Irajá, bairro carioca integrante da rota da infância e da adolescência de Jessé Gomes da Silva Filho, cidadão que somente virou Zeca Pagodinho a partir dos anos 1980.

Apelo sobressai no álbum por apresentar Zeca com um canto mais límpido e ligeiramente emotivo, menos informal do que de costume. Contudo, tal informalidade é, no caso de Zeca, marca registrada a ser valorizada porque parece que ele está em casa quando narra a crônica de costumes suburbanos como a feita na letra do samba O carro do ovo (Marcos Diniz e Rosânia Alves).

Zeca Pagodinho é uma voz que irradia alegria pelo Brasil. Mas o país anda desafinando, saindo do tom. E o álbum Mais feliz também reflete essa dor, sobretudo no apelo por paz e (mais) amor feito no samba Na cara da sociedade, tema em que os compositores Serginho Meriti e Claudemir esfregam no ouvinte a situação de violência e injustiça social que grassa pelo Brasil e, em especial, pela cidade do Rio de Janeiro (RJ).

Sintomaticamente, Mais feliz é um dos álbuns em que Zeca Pagodinho mais se pega triste. Além da súplica amorosa de Apelo, há espessa melancolia no dolente samba Enquanto Deus me proteja, cuja letra expressa tristeza – em sintonia com o tom da melodia de Moacyr Luz – nos versos escritos pelo próprio Zeca Pagodinho, compositor já bissexto que não se apresentava como tal desde o álbum À vera (2005).

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