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Tiê dissipa intenções e emoções ao revisar uma década de carreira no álbum ao vivo ‘Dix’

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Artista exibe curto fôlego autoral no magro cardápio de novidades do disco em que canta com Rael e Cynthia Luz.

Há duas sensações incômodas que permanecem ao longo da audição das 17 músicas alinhadas no primeiro álbum ao vivo de Tiê, Dix, posto no mercado na sexta-feira, 6 de setembro, em edição da Warner Music com título que explicita a intenção de celebrar os dez anos do lançamento do primeiro álbum da artista paulistana, Sweet jardim (2009), disco que jogou luz sobre a forte cena indie que se formava na cidade de São Paulo (SP).

Uma dessas sensações é que, mesmo apresentando poucas músicas inéditas, algo natural em gravação de caráter retrospectivo, a cantora e compositora já exibe curto fôlego autoral em Dix.

Primeiro decepcionante single do álbum captado em 25 de junho na cidade do Rio de Janeiro (RJ), em show restrito a convidados, Não sei (Tiê, André Whoong, Rael) é mix genérico de pop e rap composto e gravado por Tiê com Rael.

Também assinada por André Whoong, parceiro mais frequente de Tiê em Dix, a música parece ter sido feita para manter Tiê no mainstream atingido pela artista com o sucesso explosivo da gravação de A noite (2014), versão em português (escrita por Tiê com Adriano Cintra, André Whoong e Rita Wainer) da canção italiana La notte (Giuseppe Anastasi, 2012).

É o incômodo gerado pela certeza de que Tiê já gravou a maior parte do repertório de Dix com mais inspiração, personalidade e, sobretudo, sutilezas. Isso fica claro em Deixa queimar (Tiê e André Whoong, 2019), música recente, feita para a trilha sonora da série de TV Carcereiros (TV Globo) e já lançada em single em bela gravação de estúdio que valoriza a emoção dissipada no registro de Dix.

Uma das melhores músicas do álbum EsmeraldasMínimo maravilhoso (Tiê e Victor Steinberg, 2014) também perde força no confronto com a gravação original de atmosfera roqueira.

Enfim, Dix parece ser perda de tempo na trajetória fonográfica de Tiê, soando como aperitivo trivial para o público da cantora esperar por um quinto álbum de estúdio que vai mostrar se a artista conseguiu domar a ferocidade da indústria do disco ou se já foi devorada na máquina do sucesso. (Cotação: * * 1/2)

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