Preencha os campos abaixo para submeter seu pedido de música:

Anúncio da desativação do Skank gera debate sobre o momento de um artista se retirar de cena

Compartilhe:
skank2018

É legítimo que bandas e cantores prefiram sobreviver do passado de glória, mesmo sem a chama dos tempos iniciais.

Existe um momento certo para uma banda se retirar de cena? Esse questionamento foi reposto em pauta nas redes sociais ao longo do domingo, 3 de novembro, com a notícia de que a banda mineira Skank será desativada ao fim de 2020, após percorrer o Brasil com show retrospectivo em turnê de despedida intitulada 30 anos.

Por mais que a nota oficial deixe no ar a possibilidade de uma volta do quarteto em futuro distante, falando sempre em “pausa” e nunca em “fim” do Skank, a questão levantada na web diz respeito ao caráter pessoal de decisões do gênero.

O Skank acerta ao sair de cena antes que a banda vire clone de si mesma. Mas o acerto (artístico) dessa decisão jamais desqualifica a opção e o direito de um grupo como os Paralamas do Sucesso, por exemplo, continuar na ativa e, a cada show, acionar a usina de hits colecionados pelo trio ao longo dos anos 1980 e 1990 para entreter o público.

Quem poderia se atrever a dizer que é hora de o Jota Quest – banda conterrânea e contemporânea do Skank – se aposentar? Afinal, o quinteto mineiro lançou nos correntes anos 2010 os dois melhores álbuns da carreira, Funky funky boom boom (2013) e Pancadélico (2015), e desde 2017 arrasta multidões pelo Brasil com show acústico de tom revisionista.

Quem se atreveria a sugerir aposentadoria a Ney Matogrosso, cantor de 78 anos que continua em cena com vigor jovial? Ou ao sempre antenado Caetano Veloso, de atuais 77 anos? E o que dizer de Elza Soares, contemporânea e moderna aos 89 anos?

De fato, por mais que o universo pop seja cruel com as cobranças (dos críticos e do próprio público) para que uma banda continue sempre com o brilho e a chama dos tempos iniciais, um artista deve sair de cena somente quando sentir que é a hora. E cabe tão somente a ele, o artista, determinar qual é esse momento e mesmo se haverá esse momento.

Há cantores e grupos que preferem pagar o ônus das cobranças, que sempre fizeram e farão parte do show e do jogo entre artistas e mídia. Até para que as contas continuem sendo pagas em dia. Sim, porque arte também é profissão, é meio legítimo de subsistência.

Sob tal viés, um grupo como os Titãs – que soa como sombra do que foi há tempos, até por ter somente três dos oito integrantes da formação clássica – tem todo o direito de sobreviver em cena, sustentado pela obra que construiu ao longo da trajetória.

É certo que o olhar futuro dos historiadores e críticos será mais generoso com quem deixar discografia compacta, coesa, sem máculas. Por sair de cena na hora certa, o Skank se beneficiará desta decisão que o impede de apresentar futuramente álbuns e músicas inferiores ao histórico honroso da banda.

Contudo, cada caso é um caso e a “hora certa” pode até nunca chegar para uns e outros.

Deixe seu comentário:

Curta no Facebbok

Siga no Instagram

No images found!
Try some other hashtag or username